[Artigo de Opinião] Don’t stop now

LinkedIn0FacebookTwitterGoogle 0‘Don’t stop me now’, uma das célebres músicas imortalizadas por Freddy Mercury já prenunciava, no longínquo ano

0
0

‘Don’t stop me now’, uma das célebres músicas imortalizadas por Freddy Mercury já prenunciava, no longínquo ano de 1979, o caráter de rapidez e inevitabilidade da evolução tecnológica.

E, de facto, foi nesse mesmo ano que surgiu o Walkman, um aparelho que, embora analógico, veio representar e implementar a “transformação digital” da altura. Uma mudança de paradigma semelhante ao que estamos a assistir atualmente, mas se antes esta era apenas restrita ao áudio, hoje é cada vez mais global, com menos limites.

Passámos a viver num mundo em constante evolução e em que a tecnologia está cada vez mais presente em toda e qualquer atividade, e a prioridade das organizações está em como tirar partido desta para aumentar a sua competitividade. Neste contexto, a tecnologia tornou-se uma ferramenta essencial no apoio ao negócio e com impacto direto nos seus resultados.

Se antes, os elevadores alteraram a forma dos edifícios e os automóveis mudaram a forma das cidades, actualmente, o Mobile, Big Data, a Internet das Coisas e a Cloud surgiram para alterar o funcionamento dos negócios, das organizações, dos países, de todos os setores de atividade e, até mesmo, o modo de vida dos indivíduos. Assistimos, hoje em dia, à chamada Revolução Digital, que é imparável, e as Tecnologias de Informação e de Comunicação dominam, quase de forma ubíqua, a vida das pessoas e as suas relações com o mundo, tendo assim um papel disruptivo em todos os setores da economia.

Se há 20 anos atrás assistíamos a um filme e pensávamos “e se isto existisse?”, “e se isto fizesse parte do nosso dia-a-dia?”, hoje podemos dizer que fazem. Se na altura eram coisas que apenas faziam parte de um mundo totalmente imaginário, hoje, passados 10, 20, 30 anos, são reais e fazem parte do nosso presente e, mais seguramente, do nosso futuro. Exemplos esses são: a Inteligência Artificial, a Realidade Virtual, a Realidade Aumentada e os Carros Autónomos. Tecnologias essas que estão a transformar a nossa forma de viver. O mundo ficou plano, ou seja, as barreiras à concorrência entre setores e empresas, assim como a dimensão relativa dos concorrentes, perdeu relevância.

Assim, é aqui que começam a surgir os principais desafios, quer para os indivíduos quer para as organizações. Os utilizadores pedem cada vez mais inovação para conseguirem ser mais ágeis e, ao mesmo tempo, melhorarem a sua qualidade de vida. As empresas, por sua vez, devem conseguir acompanhar estas novas tendências, assim como devem ser capazes de analisar os gostos dos seus Clientes, oferecendo-lhe o que procuram de forma proativa.

Mas… como é que as organizações conseguem, de facto, acompanhar esta transformação digital? Como é que conseguem ter processos mais ágeis? Como é que conseguem desenvolver serviços que vão ao encontro das necessidades do seus Clientes, que são cada vez mais exigentes? O segredo está em proporcionar, aos utilizadores, experiências diferentes daquilo a que estão habituados. Pois o consumidor de hoje não é o mesmo de há 10 anos atrás e, desta forma, é importante que as empresas definam e incorporem os processos de “Transformação Digital,” assegurando-se que não ficam para trás nestes rápidos processos de mudança.

Esta transformação pressupõe que os sistemas de gestão sejam capazes de integrar esta nova realidade na sua operação, criando novas oportunidades para os seus clientes inovarem e endereçarem de forma mais rápida, eficaz e eficiente. Esta nova estratégia digital veio permitir, às empresas, reconhecer as necessidades dos seus Clientes e proporcionar-lhes a capacidade de reagir e oferecer produtos e serviços que acrescentem valor ou as diferenciem da sua concorrência, mas, sobretudo, que sejam rentáveis.

Um aspeto comum a todos estes novos desafios reside na necessidade de processos digitais que assegurem a gestão destes processos complexos, coordenando-os para um eficiente funcionamento da empresa. Este processo de transformação digital em curso eleva assim a relevância do software de gestão nos procedimentos de tomada de decisão empresariais. E é aqui que a tecnologia e os fornecedores de sistemas passam a ter uma enorme responsabilidade, na antevisão de como a tecnologia pode contribuir para criar soluções inovadoras e que transformem a experiência dos seus clientes, na confluência das diversas tecnologias atualmente disponíveis ou em embrião, da realidade aumentada à realidade virtual, passando por todas as anteriormente referidas.

Desta forma, estas preocupações já estão presentes nas estratégias das novas empresas digitais que têm vindo a surgir e que acabaram por romper com convencionalismos existentes, como é o caso da compra de serviços e produtos que cada vez mais é online, o uso massivo de aplicações como Wallapop, Cabify, AliexpressAmazon,AirbnbUberSpotify e Netflix, que estão a atrair um número crescente de consumidores através das suas estratégias inovadoras.

Se esta é a realidade global, como é que Portugal se compara neste campeonato digital em que se joga a competitividade futura das organizações, para além do mundo das startups que têm vindo a despontar com assinalável sucesso? Segundo um estudo desenvolvido pela Accenture Strategy, o digital representa 20% do PIB, num país onde 3% do total de empregos são especializados em tecnologia. Ou seja, no tecido empresarial tradicional, quando comparado com outros países da União Europeia, Portugal encontra-se ainda bastante abaixo. Desta forma, o principal desafio passa por conseguirmos uma maior concretização no modo de operar das empresas e, ao mesmo tempo, uma maior predisposição da população para aderir a todas estas novas tendências tecnológicas.

Portugal apresenta todas as condições para se tornar um dos países mais tecnológicos da União Europeia, quer ao nível das infraestruturas de telecomunicações, educação e quadro regulamentar, quer das empresas. Mas não basta as organizações estarem cientes dos impactos das novas tecnologias nas suas indústrias, também é fundamental repensar os modelos de negócio para se obter o sucesso nesta nova etapa.

Don’t stop now, because technology will not stop.

Por João Moreira, PCA da Ábaco Consultores

Originalmente publicado no Jornal Económico: http://www.jornaleconomico.sapo.pt/noticias/dont-stop-now-241075

Leave a Comment

Subscribe!